Algumas crianças moram para sempre no coração

Há encontros que mudam a nossa história.

Ser babá nunca foi apenas uma profissão para mim. Sempre foi um propósito.

Existem crianças que passam pela nossa vida e deixam marcas tão profundas que o tempo jamais apaga. Elas crescem, mudam de fase, seguem seus caminhos… mas levam um pedacinho de quem fomos para elas, assim como deixam um pedaço delas em nós.

Esta semana, meu coração se encheu de lembranças.

Lembrei de uma menina e de um menino que passaram pela minha vida em momentos diferentes, mas que deixaram raízes profundas no meu coração. 

Ela chegou primeiro.

Com seu jeitinho doce, curioso e cheio de personalidade, autenticidade, me ensinou que a infância mora nos pequenos detalhes: nas brincadeiras inventadas e nos momentos mais singelos.

Durante nove meses, acompanhei suas descobertas, seu crescimento e suas pequenas grandes conquistas. E, sem perceber, também cresci junto com ela.

Ela me ensinou a imaginar.

Despertou minha criatividade, minha sensibilidade e a capacidade de enxergar beleza em cada pequena conquista.

Depois veio ele.

Tão pequeno, tão cheio de vida e de personalidade.

Durante dois anos, acompanhei seus primeiros aprendizados, seus medos se transformando em coragem e seus sorrisos iluminando dias que pareciam comuns.

Ele me ensinou a permanecer.

Fortaleceu minha paciência, minha presença e meu olhar atento para o extraordinário que existe nas coisas mais simples.

Cada criança que passa pela vida de uma babá deixa uma marca.

Mas algumas deixam raízes.

Hoje percebo que não fui apenas eu quem cuidou deles.

Eles também cuidaram de mim.

Me ensinaram a desacelerar, a celebrar pequenas vitórias, a acreditar no tempo da infância e a compreender que o amor verdadeiro mora na presença.

Quem olha de fora pode pensar que uma babá apenas cuida de crianças.

Mas quem vive essa missão sabe que uma babá também coleciona despedidas silenciosas, aniversários à distância e saudades que aparecem quando vê um brinquedo, uma música ou um desenho.

Quando uma babá parte, ela leva saudades.

Mas deixa amor.

Deixa segurança.

Deixa valores.

Deixa histórias.

Deixa um pedacinho de si que continua vivendo na memória afetiva daquela criança.

Existe um momento em que a rotina termina, mas o amor não.

Ele continua nas lembranças, nas orações, nas fotos guardadas e na esperança de que, quando crescerem, levem consigo um pouquinho de tudo o que viveram.

Nesta semana celebrei em meu coração mais um ano de vida dessas duas crianças tão especiais.

Talvez elas nunca entendam a dimensão do que fizeram por mim.

Mas eu sei.

Elas reafirmaram meu propósito.

Mostraram que meu trabalho vai muito além de trocar fraldas, contar histórias ou organizar seus brinquedos.

Meu trabalho é deixar marcas de afeto.

É plantar segurança.

É oferecer colo.

É amar, mesmo sabendo que um dia será preciso partir.

E talvez essa seja a parte mais bonita da profissão: seguir caminhos diferentes, mas carregar para sempre o amor que nasceu no cotidiano dos pequenos gestos.

Porque existem crianças que passam pela nossa vida.

E existem aquelas que se tornam parte da nossa própria história.

Feliz vida, pequenos.

Que o mundo seja gentil com vocês, que nunca lhes falte amor e que, em algum cantinho da memória, exista sempre uma lembrança feliz de uma babá que teve o privilégio de caminhar ao lado de vocês.

Com amor,
Tia Lu.
🤍

 

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